Yes, nós temos outono

May 31, 2008

(Escrito em 19 de Maio de 2008) Notas sobre o caráter deste outono

Se dividirmos o ano apenas em duas metades (a metade quente e úmida, em que há nuvens carregadas no céu, em que os dias são longos, ruidosos na natureza e bastante verdes; e a metade mais fria e seca, de céus geralmente límpidos, de silêncio e maior amplitude térmica entre dias e noites), a segunda metade chegou e firmou-se no primeiro fim-de-semana deste mês de Maio.

Foi somente a partir de anteontem que voltamos a ter temperaturas quentes ou mornas nas tardes; antes foram muito raros os dias cujas máximas passavam ou mesmo chegavam aos 20°C. A mínima absoluta registrada pelo termômetro digital que instalei no sítio, nesse período, ficou nos 7°C, e houve certa noite na cidade semi-serrana em que trabalho que a sensação de frio, nesses prédios brasileiros que fazem de tudo para ficarem ainda mais gelados, era tamanha que minhas mãos realmente doíam um pouco se ficavam fora dos bolsos. Nesse dia não impliquei com as luvinhas ‘Paraguaias’ que as meninas vestiam.

Em Campinas há esses dias de frio dignos, de tardes às vezes um pouco nubladas e escuras, com vento, que me fazem lembrar muito do inverno que passei na Europa; e eu penso, enquanto caminho contente, bem-vestido e vendo as mulheres estilosas, de botas chiques: “definitivamente, este é um lugar de clima temperado”. Mas eis que há também aqueles dias em pleno inverno onde chegamos aos 28°C, o sol queima e a vontade é de estar sem camisa na rua. Há esses prós e contras, e no balanço geral há uma ligeira vantagem para o lado do temperado. É por isso que estamos sim do lado temperado, mas em seu limite norte.

Este outono está sendo um dos mais coloridos que já vi, e surpreende por duas coisas: pelo cedo que vieram as cores e pelas árvores envolvidas. Digo isso primeiramente porque, em se tratando, como acabei de explicar, de uma região temperada limítrofe, as cores de outono só costumam vir para nós em Junho – mês em que as árvores já estão sem folhas em regiões mais caracteristicamente temperadas. Segundo, porque tenho visto que até os liquidâmbares – árvores que aqui mal chegam a perder as folhas durante o inverno – também estão fazendo parte do show desde a primeira semana de Maio!

É claro que eu só vejo essas coisas porque realmente reparo nelas. Aqui há um número considerável de pecãs, um ou outro plátano e algum liquidâmbar perdido por aí, e todo esse grupo compõe uma minoria diante da massa de folhagem sempre-verde (composta por árvores tropicais ou coníferas). Mesmo assim, quem ficar atento sempre irá achar alguns ramos outonais por aí, seja em um jardim de bairro residencial em Campinas, seja na paisagem das rodovias e estradas rurais. Ontem, a bordo da linha de ônibus que liga Campinas a Indaiatuba, vi algumas casas-de-sítio nos arredores de Helvetia ladeadas por árvores outonais, e a cena não ficava muito aquém das cores oferecidas por um Outubro na Nova Inglaterra.

Eis então um ano com outono digno!

Nota: Uma câmera digital jamais conseguirá capturar propriamente as cores em toda sua intensidade. Uma pena.

O Rugby E Eu

May 17, 2008
Hoje é dia de rugby!

Neste semestre fiquei apenas com os Sábados à tarde para treinar – situação bem diferente daquela do ano passado ou do retrasado, em que eu treinava pelo menos três vezes por semana. Por conta desta situação atual, minha relação com o mundo do esporte está diferente: vou para treinar, para fazer minha (pequena) parte no desenvolvimento do time, e não ambiciono participar dos campeonatos e talvez nem dos jogos amistosos que aparecerem, porque para entrar no campo de batalha é necessário um mínimo de preparação.

Estou completando dois anos no rugby. Foi mais ou menos nesta época, em Maio de 2006, que eu vi um treino no gramado do IA, na Unicamp, e decidi descer até lá para me informar a respeito. Em uma pausa, identifiquei o técnico e troquei umas breves palavras com ele; disse que teria interesse em participar. Ele me olhou, e deve ter pensado: “mais um back, e magro como nunca vi”, e disse que eu seria bem-vindo. “Qual o nome do senhor?”, perguntei. Ele me deu a resposta. Apertei sua mão, me retirei e ele continuou o treino com seu forte sotaque Argentino.

Foi assim que tudo começou para mim, e esse começo não tem fim: uma vez que se é um rugbier, nunca se deixa de ser um rugbier. A frase “não sou mais um jogador” não se aplica aqui; costuma-se dizer, no lugar: “não estou mais jogando”. O ser não é afetado.

Quem me ouve falar do rugby certamente imagina que eu comecei a jogar desde criança e participei de dúzias de campeonatos, vencendo sempre e marcando tries sem parar. Talvez então seja surpreendente, para as pessoas, descobrirem que nem sequer fazia dois anos que eu estava treinando; que eu quase nunca estive na linha de frente durante os jogos, e que os jogos em que de fato participei como titular, jogando a maior parte do tempo, foram apenas seis até o momento. Mais: desses seis, foram quatro derrotas, um foi empate (!) e houve apenas uma vitória.

E eu amo o rugby!

A melhor coisa que me aconteceu na Unicamp, fora o fato de ter entrado para ela, foi ter descoberto esse esporte magnífico, que eu chamo o rei dos esportes. O problema é que entrei muito tarde: eu estava completando 28. É, sem dúvida, tardíssimo para o que representa o esporte. Condicionamento físico eu tinha razoavelmente, já que sempre estava fazendo alguma coisa; mesmo assim, seria diferente se eu tivesse meus 18 anos e ajudaria se eu não tivesse desvio de septo e pesasse mais (sempre tendo em mente, no entanto, a frase repetida por nosso técnico: “no rugby, tamanho não é nada; atitude é o que importa”).

Eu acredito no rugby com uma fé que pode ser descrita como religiosa. Acredito em seu poder de transformação individual e coletiva. Costumo dizer que o rugby faz bem para o corpo, para a mente e até para a sociedade, e isso não é nenhum exagero! Quem conhece a fundo o espírito desse esporte sabe disso. Penso que o rugby poderia ser colocado como alternativa para a molecada dos 17 ou 18 anos que não quisesse servir o exército: as lições positivas seriam as mesmas e o caráter seria até melhor moldado. Eu estou, também, convencido que se o rugby se tornar o esporte nacional do Brasil (se as crianças passarem a jogar desde cedo, tal como as peladas do futebol), mantendo-se intocado o espírito de amadorismo, a criminalidade cairá um pouco e os índices de corrupção geral despencarão. Só quem não conhece a fundo o esporte poderá rir dessas afirmações.

Violento?

Hoje em dia não temos mais aquelas batalhas nas quais lutavam heróis; o dedo no botão e a bomba matando dez mil à distância apagaram quase que totalmente a glória, a coragem, a compaixão que havia nos enfrentamentos de exércitos no campo: a guerra ‘de machos’ – sem sexismo no termo.

A atividade moderna mais próxima das batalhas cara-a-cara que existiram até a época da Guerra da Secessão é o rugby. “Puxa, mas isso é violência”, diz alguém que escuta isso e assiste ao que aparentemente é uma pancadaria no campo esportivo. Mas é justamente o contrário: o rugby é contrário à violência. Quem assistir partidas de todos os níveis (seja na TV, seja o amistoso na várzea vizinha) verificará que, ao contrário do futebol, são raríssimas (quase inexistentes) as discussões, as brigas, a indisciplina. Na medida em que não se trata de uma brincadeira (como o futebol de hoje em dia acabou virando), não temos reizinhos egoístas e mimados no campo: temos soldados fortes, humildes, disciplinados e conscientes. “Disciplina é liberdade; compaixão é fortaleza; ter bondade é ter coragem”. Na medida em que o contato físico é permitido e faz parte do jogo, a violência se extravasa; não fica contida na panela de pressão que é o futebol, pronta a explodir a cada momento.

Machuca? Sim, machuca. Meus cotovelos e joelhos apresentam manchas, que são resultado dos esfolamentos que pegaram sol forte. Tive dois ou três dedos fraturados (nunca fui ao médico no tempo em que deveria, para tirar as dúvidas), torções diversas nos membros inferiores, pés massacrados por travas de alumínio, rosto cruelmente curtido pelo sol, nariz trincado e entortado mais do que a natureza já havia entortado. Tive tudo isso e sei que o custo-benefício é imenso. Perguntem aos rugbiers que têm pinos nos braços ou nas pernas se eles trocariam aqueles momentos ‘de risco’ no campo por momentos ’seguros’ de ficar de barriga para cima no sofá, vendo TV e bebendo cerveja… Você correrá o risco de ouvir algumas palavras feias.

No rugby ganhei mais caráter, e coisas como senso de hierarquia, coragem, disciplina, auto-estima e humildade, dentre outras, foram desenvolvidas. Acima de tudo, meu espírito de coletividade e serviço para o bem do grupo foram enriquecidos como nunca. A gratidão que tenho é imensa, e só me preocupa o fato de que possivelmente eu nem sempre consiga ou saiba retribuir à altura.

Quando me vejo frente a problemas difíceis na vida, penso sempre nas lições do rugby. “Não posso quebrar aqui, afinal sou um jogador de rugby!”. Não me deixo vencer pela angústia e nem explodo em violência porque essas não seriam atitudes de um rugbier. “O que meu técnico ou meu time diriam se me vissem agir de tal forma errada?”. Eu acho que só houve milagre no Milagre dos Andes porque aqueles eram jogadores de rugby.

Um líder

O que é um líder? Uma pessoa que tem um título e comanda? Alguém a quem devemos obedecer para não sofrer coerção? Talvez hoje em dia seja o caso, mas, voltando à analogia com as guerras antigas, é fácil ver que a figura mítica de líderes como William Wallace, General Lee e tantos outros nas mais diversas culturas e causas está hoje praticamente extinta.

Eu acredito que um líder é alguém que conquista; alguém cujos seguidores querem segui-lo até a morte, porque têm nele uma confiança inquebrantável, que se firma através do exemplo que ele mostra a cada momento.

Eu tive o privilégio de conhecer um líder assim, e esse líder é nosso técnico de rugby.

Esse homem é a personificação do auto-sacrifício em prol do benefício do grupo, da causa, do ideal. Jamais, em momento algum, vi uma sombra de falha em seu caráter. Quando era eu próprio ou algum outro companheiro que demonstrava algum tipo de falha de caráter, lá estava ele para nos corrigir e nos colocar no caminho certo. Frente a seu exemplo sem qualquer mancha, como poderíamos nos queixar de cansaço? De dor? De falta de recursos? De qualquer coisa?

Sou um professor, e estou mergulhado no campo da educação. Afirmo que o melhor professor que já conheci na vida é esse estrangeiro que nos presenteia com os treinos de rugby.

Para algumas pessoas, minha imagem se mistura à do rugby. Muitos ouviram falar do esporte pela primeira vez através de mim; fui pioneiro ao levar a bola ovalada pela primeira vez para algumas cidades, tais como Jales, SP (Abril deste ano) e muitas outras; alguns amigos me cumprimentam dizendo: “e aí, rugby?”.

Enfim, está na hora de ir. Vestir o uniforme, rever os amigos, correr como fullback ou wing, rolar pelo chão, ouvir instruções e correções, fazer abdominais e flexões, aliviar a mente, desenvolver o espírito. Viver.

Caso eu vá para longe, para algum lugar sem rugby, sempre me lembrarei destes momentos no campo como alguns dos melhores de toda a minha vida.

Ying et Yang

April 29, 2008

Lá onde dou aula e sou visto como alguém que está em um patamar diferente, de certo respeito, as moças passam e quase sempre falam de coisas muito tristes e cinzentas como "o rodeio do (sic) Guaçu" e afins.

Aqui no IEL, lugar que me viu desde o início dos vinte anos, e sabe realmente quem eu sou, as moças passaram por mim esta tarde falando quase sempre de grandes pensadores, grandes artistas, correntes políticas, viagens para a França… Mas, meu Deus, que triste e cinzenta ausência de graça! 

Jales

April 23, 2008

Here, beside the news of holy war and holy need

Ours is just a little sorrowed talk – just blown away

Jales, SP. Extremo noroeste, clima tropical, próximo às fronteiras com MG e MS. Quando eu iria pensar que um dia o destino me levaria até lá?

As cidades da rota (que eu nunca havia percorrido) não estão de todo ausentes das conversas aqui em Campinas: Araraquara, Rio Preto, Votuporanga, Fernandópolis… São cidades das quais o pessoal vem: para estudar na Unicamp, para trabalhar, para… libertar-se?

Eu lia sobre algumas dessas cidades, às vezes, naqueles livrinhos muito bons que se lançavam em coleções infanto-juvenis antigamente (por exemplo, coleção vaga-lume). Vira-e-mexe, a ação se desenrolava em alguma dessas cidadezinhas; e havia um personagem interessante, que apesar de estar ‘na cidadezinha’ parecia mais em sintonia com o mundo, e resolvia enigmas e pensava com mente grande. Às vezes também havia alguma figura enigmática, de fora (talvez de outro continente), que havia ido parar ali não se sabe como.

Sempre pensei, portanto, em cidades como Bebedouro ou Catanduva, como cidades de calor intenso, clima de Cerrado com tempestades de verão, mas com alguma mística muito interessante e cheia de mulheres lindas. A parte das mulheres lindas pode ser verdadeira, mas quanto à mística interessante eu acabei totalmente desiludido.

Talvez na década de 80 o sertanejo e as festas de peão ainda não existissem… Hoje em dia, essas duas coisas se alastraram por todo o canto, destruindo os hábitos e a mentalidade das pessoas. Eu chego a relacionar (seriamente) a possibilidade de ser feliz em um lugar à presença ou ausência em larga escala dessas coisas. Hoje em dia, os lugares anti-sertanejos são poucos e estão raleando, entrando em triste extinção. Campinas ainda é um lugar anti-sertanejo: aqui os motoristas de peruas ouvem essas coisas no rádio, e certos grupos ou bares de periferia tocam brega e pagode à vontade, mas isso é definitivamente coisa de caipira. Nesses outros lugares supracitados é pura e simplesmente a coisa, já que não há alternativa. Não há um bar de rock, não há ambientes como os do Cambuí, não há refinamento.

Como um sociolingüista que compreende a igualdade de toda manifestação cultural na língua, eu também não deveria aceitar os rodeios, o sertanejo, o axé, o brega em geral? Já pensei nisso, mas o que posso fazer se isso me sangra os ouvidos, me da náuseas na mente, me deprime o espírito? Talvez seja a total falta de elaboração das letras associada à falta de criatividade de ritmo e às vozes que são lamentos chorosos e insuportáveis; talvez seja o rodeio como anti-cultura, algo importado e implantado que só dá certo à base do fingimento das pessoas tropicais fantasiadas de cowboys – e ainda algo que tortura animais, incentiva a bebedeira de cerveja podre, etc. Não, eu não aceito esse lixo.

O sertanejo avança por todos os lados. No norte ele se chama axé, forronejo, tchan; no sul há a versão das bandas ‘tchê-qualquer-coisa’ que dominaram tudo e destruíram a graça e a originalidade… E por aí vai. Olhei para cidades como Jales e vizinhas como um deserto cultural, um inferninho caipira onde não há uma gota d’água para saciar a sede. Mas… Lá vive a Deise…

Na volta de minha viagem a Jales, com um coração destroçado e com momentos de desespero que chegavam a me sufocar (e digo: literalmente!) mais que um treino de rugby debaixo de sol forte; com saudades implacáveis de beijos e carinhos que compartilhei por uns breves momentos, mas que logo me foram proibidos tanto pela libriana como pelas próprias circunstâncias do futuro próximo, reparei que o ônibus entrou em outra cidadezinha dessas, não muito depois de deixar Jales. Olhei para as casinhas, o asfalto sem jardins, e pensei nos moradores… Haveria alguém entre aqueles seis mil que não gostasse de sertanejo? Seria possível ‘pescar’ por ali uma moça com quem fosse possível falar de Tears For Fears? Alguém que fosse um rebelde e preferisse não freqüentar os rodeios para os quais a boiada inteira ia? Achei francamente impossível, mas… A Deise…

Gostei de toda a família da Deise: gente animada, verdadeira, e com coração bom. Os pais têm uma mente muito boa, procuram coisas novas e corretas – e cresceram exponencialmente tendo vindo de condições muito, mas muito difíceis. A mãe, sagitariana, me contou sua história e me deixou boquiaberto: é uma vencedora em todos os sentidos. E no meio dos churrascos e reuniões familiares diversas, tocava-se sertanejo. E a Deise sabia de cor o sertanejo, e afirmava que aquele havia sido o universo na qual fora criada; ao mesmo tempo, era uma estudante da Unesp.

Estudante da Unesp, de excelente redação (e provavelmente altíssimos dons literários), inteligentíssima, esperta, falante de Francês, e de partida para a França – cerca de um ano na França daqui a duas semanas.

Nos poucos momentos em que conseguia olhar para ela sem pensar em amor – ou seja, de uma maneira mais científica – só me ocorria o seguinte: nunca vi pessoa mais deslocada do ambiente do que ela em Jales. Não, não entendam mal: ela própria não se via deslocada de tudo, afirmando que aquelas reuniões de família e festas de rodeio eram mesmo o seu berço (se bem que, em uma ocasião em que estávamos passeando por um parque de diversões itinerante, confessou que não conseguia se ver como parte daquele ambiente que a rodeava); mas eu, como observador externo, a via como um esquimó caído na savana da África. Eu nunca fui sensitivo para essas coisas, mas olhando para a situação da Deise eu praticamente ’soube’ que ela era algum espírito muito evoluído que escolhera de propósito reencarnar em um meio radicalmente diferente para cumprir algum tipo de missão pessoal ou coletiva.

Pode ser, então, que naqueles povoados perdidos, naqueles casebres humildes e no meio daquela secura embalada por uma dupla sertaneja cantando em vibrato, exista, contra todas as possibilidades, uma flor como a Deise, que circula e convive com tudo isso mas que mantém intocado o frescor das suas pétalas e o crescimento viçoso no meio do asfalto que assa sob o sol tropical.

Deise…

(Aqui, ao contrário da maioria dos outros artigos, nenhum nome próprio foi trocado: eu não conseguiria).

Vento Sagrado

March 15, 2008


Tive que escrever novamente.

O céu nublado. O vento frio. As pessoas de agasalhos na rua.

Eu dentro do quarto, fazendo exercícios. Olho pela janela, vejo um brilho na estrutura de ferro e nas (escassas) folhas das árvores da zona urbana. O sol! Meti minha cara para fora e peguei os últimos raios, que vinham até mim através de um ‘buraco’ entre um telhado, uma parede e um muro. Ali certinho!

Saí para o jardim, de shorts e camisa sem mangas. Fiquei sentindo o momento, mais ou menos como sempre senti no sítio. Para o oeste, um show de cores no espaço que as nuvens iam dando. Fotografei o espetáculo, mas estou com a câmera fraquinha, que transforma uma fogueira de são-joão vermelha em um biquinho de chama a gás de um pálido azulado.

Aqui na cidade a Natureza ainda se faz presente. Um dos exemplos é o casal de carcarás que está vivendo na cobertura de um edifício que se ergue cerca de 300 metros à frente do meu jardim. Sempre os escuto fazendo o ruído característico (me falta a palavra exata para descrever esse som; penso no Inglês ‘rattling’ como o que de mais próximo me vem, mas mesmo assim não é exatamente algo que dê conta fielmente da voz desses pássaros).

Temperaturas na zona rural variando hoje entre mínima de 16 e máxima de 20 (Celsius).

O campus e os reencontros

Chegou o outono! Realmente, chegou agora. O ‘aviso’ ao qual me referi no começo do mês se concretizou com a imensa chuva do dia 13, que com seus 84mm de água inundou a Orozimbo Maia e quase me prendeu lá a caminho do trabalho – e fez a temperatura despencar. Nestes últimos dias, consegui vestir camisas de mangas longas praticamente sem passar calor no final da tarde. Ontem e hoje o tempo se manteve apenas nublado, fresco, com vento.

É uma pena que, nestes anos de clima tão bagunçado, já tenhamos tido situação idêntica (ou até mais outonal) na segunda metade do mês de Janeiro. Isso tira um pouco a força desta aparição da nova estação, mas, de qualquer forma, a chuva do dia 13 foi o evento-chave que marcou a chegada do outono deste ano, tal como as explosões dos ninhos de cupins no sítio (incrivelmente sincronizadas) marcavam a primavera sempre ao redor do 24 ou 27 de Setembro.

Acho que este post vai ser, novamente, sobre a Unicamp e Barão Geraldo. Pelo menos, com as várias experiências e reencontros que tive ontem, me sinto levado a escrever sobre o tema.

O dia começou Unicampense mesmo quando fui a um edifício desconhecido próximo à Brasil para fazer um treinamento de tradutor free-lance. A porta me foi aberta por Maíra, minha colega de ano (mas de turma diferente) no IEL. Anos que não a via! Foi realmente uma surpresa muito agradável, e espero que agora tenhamos contatos mais freqüentes. Simpatizei de imediato com o dono da empresa, e sei que o sentimento foi recíproco, pois já na hora do almoço estávamos rindo muito (ops, esse meu humor) de certas situações tragicômicas encontradas em certo país vizinho (ele é casado com uma nativa e viveu no lugar por uns tempos).

Saindo do treinamento, fui direto à Unicamp. Entrei na agência do Santander próxima à Reitoria, descontei um cheque e, quando caminhava de volta para o carro (cada vez se estaciona mais longe de tudo na Unicamp) tive a incrível, inusitada e agradável surpresa de encontrar Luka Tomazett, do time feminino de rugby, andando no meio daquele nada. Muitos meses sem nos vermos. Disse que ela estava sumida, mas ela me fez ver que era eu o sumido: eu não estava mais participando dos treinos no campus, freqüentando só os do clube. Ela disse que estaria no dia do evento ‘rugby touch na areia’ (amanhã, na Decathlon); portanto, iremos nos rever lá.

No IEL, alguns outros reencontros rotineiros; e então, na hora marcada, fui até a sala de minha orientadora. Ah, que bom estar ainda tão vivo academicamente! Analisamos novamente meu texto em nossos computadores, e ela me elogiou bastante. Pelo visto, está gostando muito dessa monografia e da maneira como eu apresento o trabalho sociolingüístico em si (quer dizer, gostou muito da minha linguagem). Propôs algo que, no mínimo, me deixou lisonjeado: escreveremos, juntos, um livro sobre Sociolingüística depois que eu tiver defendido o mestrado.

Deu tempo de entrar no bandejão, por cinco minutos! Esperava encontrá-lo esvaziado na noite de sexta, mas tive a feliz surpresa de ver Marco (orientando de doutorado da minha professora), chegando praticamente ao mesmo tempo que eu. Esse foi um amigo bastante recente que fiz no IEL, já na pós. É um Goiano muito divertido, e um bandejão com risadas foi mais do que eu poderia pedir.

Voltei ainda ao IEL para usar os computadores de lá; decidi então ir até a velha casa, a querida ex-república. Eram 21h00. Infelizmente, ou não havia ninguém ou o sono ou a bebida haviam diminuído a atenção do eventual presente. Ainda tenho as chaves (aliás, eu estava indo com a intenção de entregá-las), mas não me atrevi a entrar; apenas abri o portão, peguei uma muda de cacto que eu mesmo tinha deixado para resgatar depois, e coloquei um bilhete na caixa do correio. Fui então ao supermercado ao lado do McDonald’s, fazer umas compras. Me permiti dar espaço à ilusão de que eu estava saindo de casa para pequenas compras rotineiras no centro de Barão, como acontecia freqüentemente, e assim revivi o espírito daqueles dias… Fazer as compras, talvez ir a um barzinho ou alugar um filme na companhia de alguém da casa… Então voltar para lá, pensar nas boas coisas do dia seguinte… Quanta energia positiva há em Barão Geraldo! A cor de Barão é, sem dúvida, um verde que representa viço, renovação, paz. Outro dia falarei mais a respeito. Hoje ainda há mais reencontros a serem descritos.

No supermercado, encontro primeiro a esposa do coordenador do curso de Educação Física no qual ensino. Ela foi uma pessoa que, recentemente, me deu vários serviços de tradução que significaram um dinheiro muito bem-vindo.

Depois, me surge uma pessoa dessas que são lindíssimas; que fazem você se sentir tão bem na presença delas que é só com muito esforço que você admite que elas se separem após o beijo de despedida. Estou falando de Stefi Jordan, outra jogadora do nosso time feminino de rugby. Que pessoa linda! E que dia lindo, cheio dos reencontros movidos pela mágica que a Unicamp faz gravitar a seu redor!

Eis um post com cara de diário… E, para terminar e descontrair, uma de minhas verdades para aumentar a coleção:

Há mais energia positiva no choro de uma Sagitariana que na risada de uma Canceriana.

Adeus ao campus?

March 12, 2008
Paraíso verde! Universo de possibilidades, de realizações, de benesses; de origens, de nacionalidades, de idéias. Lugar mágico, onde se encontra de tudo e onde tudo aparece por primeira vez. Reunião feliz de mentes pioneiras e principais. Lugar de liberdade e comunhão!

Existe um certo sentimento, muito difícil de ser explicado, que às vezes toma conta de mim. É algo que geralmente vem no meio de uma noite livre, em que penso no passado, no presente e no futuro; ‘ansiedade’ seria algo muito pobre e míope para descrever o sentimento, mas talvez seja o que de mais próximo exista entre as palavras: é uma vontade de viver ainda mais, ainda mais intensamente as coisas e os momentos. É um certo questionamento que pode começar orientado no presente (“A situação tal parece estar por terminar! Será que aproveitei e vivi mesmo tudo o que podia nela?”), que traz questionamentos similares quanto ao passado e ao futuro. O sentimento, eu diria, é ‘neutro’, equilibrando-se entre o positivo e o negativo. Acontecia muito freqüentemente no passado, durante a adolescência e até o começo dos 20 anos, e culminava em certa excitação que me fazia procurar objetos ou lembranças e me mantinha acordado toda a noite; hoje em dia é muito mais raro, e acho que a última vez que tive um resquício desse estado foi há um par de anos, quando pensei, na cama, no vento frio e livre que pela manhã correra pelo campus verde de início de primavera. “Será que vivi / estou vivendo realmente tudo o que pude / posso neste lugar abençoado?”. Pensei em um tempo em que eu não mais estaria ligado à Unicamp. Será que quando muito velho, em algum estado de semiconsciência, eu resmungaria coisas incompreensíveis enquanto a lembrança dos dias ‘que não voltam mais’ me assaltaria? Me veriam erguendo-me da cama, as mãos tentando alcançar alguma coisa imaginária, os olhos perdidos? Mal saberão que a vista estará muito longe no passado, e a audição dará crédito apenas ao vento que correrá livre pelos gramados verdes e moitas floridas de azevinho. Meu coração estará batendo mais forte…

Caso minha descendência queira buscar um lugar onde eu tenha vivido – e intensamente – poderão tentar localizar algumas das casas que habitei; mas, como neste país tudo se destrói com muito mais facilidade que em outros lugares, darei um endereço que certamente se manterá: passeiem pelo IEL/UNICAMP, e particularmente pelas mesinhas de pedra que estão debaixo das copas de árvores baixas, no lugar que hoje em dia chamamos de ‘Arcádia’. Nesse lugar, certamente, eu vivi. Sentem-se nos bancos de pedra (gelados no inverno) e procurem me visualizar por ali, rodeado por amigos e dando gargalhadas com eles, na graduação, ou sozinho, lendo um livro ou simplesmente relaxando, na pós – e em qualquer caso, geralmente tomando chimarrão. Visualizem, pois será uma imagem muito justa, fiel à realidade. Esse é o lugar que mais posso chamar de ‘casa’, desconsiderando minhas casas verdadeiras, e fico muito feliz que seja um lugar público, que certamente abrigará várias outras gerações ao longo dos séculos. Nessa ‘Arcádia’ me diverti manhãs, tardes, noites, madrugadas; fiz nascerem idéias, ri, meditei, paquerei, li muitos textos, conheci gente nova, terminei namoro, cheguei até a cochilar olhando para o céu atrás das folhas verdes… Sim, eu vivi e fui muito feliz por isso!

O campus inteiro, na verdade, seria minha casa; pelo menos, um amplo quintal que, não obstante minhas explorações nestes mais de oito anos de convivência, ainda guarda rincões desconhecidos – o que me faz ainda mais feliz, obviamente. Freqüentei muito a FEF praticando esportes; e a FE, para ver as meninas e às vezes pegar alguma matéria obrigatória; e o IFCH, e o Ginásio, e o Bandejão (à exceção talvez de boa parte do meu primeiro ano, sempre foi meu local favorito para almoçar e jantar), etc. Joguei rugby no gramado do IA (ameaçado de extinção), subi ao observatório… Acho que fiz muita coisa. Mas, será que realmente desejaria ter vivido ainda mais?

Ser um estudante da Unicamp é, para mim, estar dentro de uma bênção. Ter esta carteirinha cinzenta com minha foto e meu nome associados ao logo do campus querido abre um universo incomparável. Penso no início da minha graduação: fora o acesso àquela generosa fonte de conhecimento, com milhares de cursos/matérias à disposição, tínhamos internet de qualidade de graça, a qualquer hora; refeições completas praticamente de graça; meia-entrada nos cinemas e teatros, etc. Como eu poderia deixar a Unicamp?

Principalmente depois que descobri que minha vocação era ser um pesquisador, um acadêmico, só a Unicamp me pareceu iluminada. O mundo fora dela – aquele mundo de escritórios fechados, de engarrafamentos, de cartões a serem batidos, de concreto e limitações das mais variadas – me parecia sombrio, obscuro. Não era meu mundo, e, erguendo as mãos para o céu, agradeci o fato de que jamais precisaria ser!

Estes dias, porém, fui ver como começou 2008 no paraíso, e percebi que algo mudou em mim…

Meu trabalho (sou professor em uma universidade a cerca de 100km daqui) já havia começado há cerca de um mês, e então apareci na Unicamp dentro daquele espírito: traje social, notebook na valise, etc. E… Bem, aquele parecia ser o meu natural. Vi os bixos e semi-bixos na Arcádia, e, por Deus, suas caras eram, sem tirar nem por, caras de crianças! As coisas que discutiam e que ocupavam seu tempo não conseguiam despertar, em mim, um interesse. “Finalmente, estou ficando velho?”, pensei. Mas… “Mas, ora essa, eu sou um jogador de rugby! Deixa que logo apareço aqui de shorts, com o uniforme todo sujo, e eles vão ver”. Bem, olhei para o ‘campo’ de treino, e, acostumado que eu estava a treinar apenas no clube, não senti vontade de participar de nenhum ruck naquele arremedo de gramado, cheio de tiriricas e terra dura sem cobertura.

Fui almoçar no bandejão. Me senti realmente mal – uma figura destoante ali dentro, tão arrumado e perfumado. Se alguém me olhasse e questionasse: “O que você está fazendo aqui? Sai, não é teu lugar!”, eu não acharia nada estranho. Me senti mal porque pensava que estava tomando o lugar de alguém que realmente precisava estar ali.

Na volta, problemas com a rede do IEL na informática. “Hmm… Mas eu tenho meu notebook com modem wireless; recorrerei a ele”. Bem, mas então o que eu estava fazendo na sala de informática do instituto? Faria sentido voltar até lá no futuro?

Fui à biblioteca e retirei três livros – para ajudar no trabalho de conclusão de curso de uma aluna minha, que estou orientando.

Recebi um e-mail a respeito do meu armário (o de número 34) no IEL. O manterei, ou entregarei o espaço para alguém que realmente precise dele?

As coisas mudaram…

Claro, eu sou outro. É bom que as coisas mudem, senão jamais conseguiríamos seguir em frente – provavelmente para algo ainda maior, que está nos esperando. Quando penso que seguir não significa trair o presente (que evoluir não significa trair a Unicamp e tudo o que ela me deu – pelo contrário), me alivio.

Eu não precisaria perder o tão amado vínculo; poderia fazer doutorado emendado no mestrado, e aí ir ficando… Mas, mesmo assim, eu seria outro – nunca mais aquele estudante da graduação.

De certa forma, eu consegui me manter no mundo ‘de luz’: achei um emprego que me manteve no meio da educação, da renovação contínua. A camaradagem e as risadas entre nós, professores, durante as viagens de ida e volta no ônibus, nada mais são que uma nova versão da camaradagem e das risadas nas mesinhas da Arcádia. O espírito continua, apenas adaptado ao novo contexto. Talvez por isso pude ir fazendo a balança pesar mais para o lado do mercado de trabalho, ultimamente: da maneira que está, não é aquele pesadelo que eu abominava.

Depois que eu defender o mestrado, o vínculo será oficialmente cortado, pouco a pouco. Não posso negar que sentirei ‘algo’ se, então, tentar fazer log on nos computadores do IEL e o meu nome de usuário – simplesmente ‘thiago‘, usado desde 2000 – não existir mais, ou cair nas mãos de outra pessoa. Terá seu impacto saber que não poderei mais retirar livros nas bibliotecas… Saber que, oficialmente, não terei mais nada a ver com aquele mundo, aquele sistema, aquele paraíso.

Por outro lado, ora essa, posso voltar. Claro que posso! Penso em exemplos que estão por aí, como o professor do IEL (um simpaticíssimo Peruano com poucos cabelos, todos brancos) que faz diariamente suas refeições no bandejão; ou a professora do mesmo instituto que me disse, certa vez: “bom, eu nunca saí daqui”. Fez graduação, mestrado, doutorado, deu aulas e virou professora titular do instituto. É, eu iria gostar muito de algo assim…

Vamos ver o que me reserva o futuro. Por enquanto, seja como for, este que vos escreve tem vínculo com o paraíso verde! Sim, eu tenho! Esta Sexta, inclusive, irei me reunir com minha orientadora, para discutir a respeito da qualificação do meu texto. Depois da discussão, acho que haverá espaço para jantar no bom e velho bandejão!

AMOR - PARTE II

March 8, 2008

Primeiramente, preciso dizer que nada tenho contra o signo de Câncer em si. Acho que o fato de meu melhor amigo ser um Canceriano é evidência suficiente disso. Além disso, como astrólogo científico que sou, não posso ver um signo como melhor ou pior que os outros onze: se tirarmos um pedaço da roda, a engrenagem inteira quebra. No entanto, no que diz respeito aos relacionamentos românticos, já vi e vivi demais para estar firme como aço a tais caranguejas daqui para a frente.

Bem, se no lado negativo do artigo falei de Cancerianas, é das Sagitarianas que falarei neste lado positivo.

Ah, que mulheres!… O apelido de ‘deusas’ deveria ser exclusividade dessas amazonas!

As Sagitarianas – sobre as quais já escrevi em tantas ocasiões – já têm pelo menos 50% do meu coração ganho só pelo fato de serem desse signo. Elas sustentam o olhar quando meus olhos de fogo entram nos delas. Elas sorriem, divertem-se no meio do jogo da sedução – isso porque rarissimamente são vencidas por complexos de inferioridade ou medos que as tornem azedas e as façam virar a cara. Elas gostam da vida!

Que porte elas têm! Reconheço de longe uma Sagitariana ‘puro-sangue’: são corajosas, quentes, riem alto, e, sendo em geral muito esportistas e amantes da boa forma, possuem na maioria dos casos o corpão tão característico. As coxas de uma Sagitariana típica são uma das coisas mais felizes que a Natureza é capaz de criar.

Que brilho nos olhos – sempre tão lindos, seja a cor que tiverem! Os olhos são capazes de sorrir por si, com aquele toque de malícia e irreverência que fazem a paixão formigar por minhas veias. Nesse brilho também moram os humores mais sérios da deusa, em geral de curta duração, bem como suas divertidas filosofadas.

E que corpo!…

Acho que o melhor a fazer, para que tudo se entenda melhor, é falar de experiências concretas. Falarei, então, de três Sagitarianas que me marcaram muito, preservando seus nomes verdadeiros ao trocá-los por outros aparentados.

REBECA STUCCHI – Faz muitos anos que não a vejo, mas me lembro bastante dela, e de como as coisas poderiam ter sido se eu tivesse mais que 17 ou 18 anos.

Acho lindo que essas deusas esportistas tenham uma grande queda pelo magistério. Elas gostam de educar, de ‘consertar’ as pessoas, dando assim uma boa serventia para o toque divino com que nasceram. Se não são professoras de carteira assinada (muitas o são), acabam sendo professoras de algum modo informal, nem que seja dando conselhos para o círculo de amigos.

Rebeca era professora pré-escolar na mesma instituição particular em que eu me formava no terceiro colegial. Foi a primeira Sagitariana – aliás, não chegou a ser, mas de qualquer forma foi por sua luz que meus olhos se abriram para a ‘Sagitarianidade’.

Eu não sei o que acontecia naquela época – nos meus 17 anos – que eu, mal vestido, despenteado, sem carro, sem dinheiro, sem viagens e sem experiência, atraía mulheres – mulheres, leia-se bem – com vinte vezes mais facilidade do que atraio hoje em dia. Seja a explicação qual for, nossas vistas se cruzaram e senti o calor do fogo mutável em seus olhos castanhos claros quando ela me disse um ‘oi’ especial. A partir daí, tudo já estava feito.

Eram as semanas finais da minha vida na escola – o melhor período do ano mais dourado da minha vida – e Rebeca Stucchi surgiu na coroação desse momento. Logo fiz questão de aparecer na escola perguntando pela ‘Rê’ para outros professores e até para a coordenadora, sem qualquer vergonha. Cheguei a convidá-la para o baile de formatura. Rebeca entendia meu olhar e oferecia aquele sorriso maroto de Jupiteriana, como que dizendo “eu sei tudo o que você está pensando, mocinho, e no fundo não desgosto disso”.

Se eu tivesse apenas um pouquinho mais de vivência, e se tivesse sabido escolher as palavras certas na hora certa, Rebeca teria saído comigo – e então, eu aos 17 teria tido minha experiência com a professorinha linda que completava 26; teria uma história de vida dessas ‘de cinema’, ‘míticas’. Mas não aconteceu… Quando a procurei ‘de verdade’, no ano seguinte, eu já havia perdido o momento. Além disso, já com carro e tudo, era ainda tão imaturo quanto antes, senão mais (se 1995 foi o ano de ouro, 1996 foi particularmente ruim para mim). Ela deixou que a crise de moral (que às vezes ataca as Sagitarianas) levasse a melhor, e então ficamos os dois ‘nus’, como se tivéssemos comido o fruto proibido: nove anos de diferença, e ainda havia alguém na jogada, e não podia acontecer, etc. Virei chato, fiquei insistindo, incomodando, e ela teve que cortar relações. E poderia ter sido diferente?

Ela deve ter 38 agora… E que porte de centaura deve ter!

ANNE BECKER – Anne pode não ter sido minha primeira namorada, mas seguramente foi meu primeiro amor. Tivemos uma história tão especial que me parece até um tanto sacrílego tentar listá-la e resumi-la aqui; mesmo assim, falarei um pouco a respeito.

Foi próximo ao Ano-novo 2000-2001 que nos conhecemos e ficamos juntos, em uma praia Catarinense. Passamos o réveillon como namorados e, apesar de eu viver aqui e ela ‘lá’ (Rio Grande do Sul), nos visitamos todos os meses até fins de Outubro, quando decidimos nos separar. Dez meses vencendo distâncias e sendo felizes!… Ela é de 1980 (a única Sagitariana mais nova), estava na graduação em Farmácia na UFRGS.

Como nos dávamos bem em todos os sentidos do viver! Como era gostoso ouvir sua voz, suas gargalhadas, suas idéias; e terminar a noite com ela e começar o dia acordando a seu lado!

Um dia – atenção – estávamos eu e ela namorando em uma pracinha em Caxias do Sul, RS, quando por perto passaram umas duas mulheres e uma menina de três ou quatro anos com elas. A menina, pouco após passar por nós, olhando-nos, se destacou da mão da mãe e correu até um canteiro próximo; pegou uma flor rosada/lilás e, com um sorriso mágico, foi até nos e estendeu-nos a oferta. Seus olhos azuis brilhavam de um modo que nunca irei esquecer. Fez aquilo como se ‘tivesse que fazer’, como se fosse a ordem natural do mundo. Pegamos a flor sagrada, e a anjinha de cabelos cacheados e loiros correu de volta para as adultas, para desaparecer com elas.

Quando assisti ao filme Serendipity pela primeira vez, foi com ela que fiz questão de falar logo em seguida, telefonando minutos depois (já estávamos separados, mas jamais perdemos contato). Ultimamente, temos nos visto uma vez por ano. Nunca dizemos nada a respeito de nós.

ALINE GESSINGER – Ah, o protótipo da Deusa Sagitariana! Essa foi Aline: seis anos mais velha; cabelos lisos e compridos, loiros com mechas de outros tons; bronzeada; olhos verdes; atlética; sulista; professora. Wow!…

Quando tentei um contato um tanto tímido com essa lindíssima habitante do Olimpo, pensei – mesmo com todo meu otimismo – que logo de cara seria chutado ladeira abaixo de volta para meu lugar, lá no vale dos mortais. Mas, que surpresa: a doutoranda se interessou pelo graduando! E quando confirmei a suspeita de que era Sagitariana, me vi onde de fato estava: nas nuvens!

Me lembro de cada mínimo detalhe – e esqueceria? – do nosso primeiro beijo. Era 31 de Outubro de 2003. Ela havia atendido a um meu pedido para ir à minha morada então (uma casa/pensionato). As donas da casa ficaram boquiabertas com a beleza e o porte daquele ‘mulherão’, e deram um jeitinho de me deixar a sós com ela na casa.

Seus olhos – duas brasas verdes chispando – iam para lá e para cá, inquietos, naqueles momentos de dúvida. A crise moral estava sendo trabalhada: ela tinha alguém em SC… E quem era eu, afinal?… E estaria correto?… E as conseqüências?… As brasas pulavam… E por fim ela disse, avançando: “Então me beija”.

Foi intenso, mas durou pouco. Passamos um par de noite juntos, ela conheceu meus pais (minha mãe, ao ser instada a adivinhar seu signo, acertou de primeira, e a Deusa sorriu), mas então fui viajar para um congresso no RS e essa ausência temporária deve ter contribuído para que ela pensasse melhor (pior?) decidisse parar por ali. O fato de o casebre no sítio estar um horrendo pandemônio no dia que a levei para lá deve ter contribuído para isso também…

Seja como for, recebi a admiração dos amigos, quando souberam da relação. Muitos me colocaram alguns degraus acima só pelo fato de eu ter me relacionado com a Deusa. Até hoje, se eu conseguir reencontrar meu velho amigo Breno, e no meio de uns copos de cerveja preta vier o assunto ‘mulheres’, é capaz de ele dizer: “Bom, sendo você alguém que ficou com a Aline Gessinger, acho que você pode tudo, rapaz!”.

Essas três pessoas queridas que moldaram minha história nasceram entre os dias 25 e 26 de Novembro, e é por essas e outras que ser ‘Sagitariana de fins de Novembro’ é um plus para mim. Conheci muitas outras, me relacionei com várias, seja romanticamente, seja amistosamente; nem todas se encaixaram totalmente nos perfis que descrevi (já tive até raiva de algumas), assim como nem todas as Cancerianas são iguais (estes dias, confesso, – e vocês pasmem – estive com uma, que deve ter ascendente Sagitário). Seja como for, faz já um certo tempo que tenho me aventurado fora das benesses das Sagitarianas, e estou com saudades. Pode ser já tempo de se casar com uma.

ANEXO: SOME MAJOR ‘TURN ONS’ AND ‘TURN OFFS’

Turn offs:

* Mostrar inibição, recato ou acanhamento nos assuntos amorosos, e valorizar tais comportamentos. Isso mata e enterra qualquer vontade que eu possa ter.

* Não ter senso de humor negro; irritar-se de verdade e tentar dar lições de moral se não faço cara de triste e nem choro como ‘deveria’ chorar da desgraça tal. Eu posso rir, mas na hora de por a mão na massa para salvar ou ajudar, serei eu a fazer. Um comportamento desses, de censurar a sério uma risada minha, não só faz com que eu perca o interesse, mas a pessoa ganha em mim um inimigo.

* Desmarcar compromissos na hora ‘h’ – principalmente no começo da relação. É a Brasileirice plena, e é o fim!

* Ser evangélica no Brasil. Na verdade, seguir dogmas e preceitos, virando uma fanática de qualquer religião. Destaquei a ‘evangélica’ no estilo novo-Brasileiro por ser a mais classificadora e separadora de seres humanos. Como vou me relacionar com uma pessoa com a qual certos assuntos são proibidos e para quem “fulano e fulana quando morrerem vão para o inferno”?

* Achar que diversão se resume a ir ‘no clube’ e à festa ‘da moda, que todo mundo vai’. Não gosto desses padrõezinhos e desse estilo de boiada seguindo o berrante. E, para falar a verdade, gosto muito mais das aventuras com o sol brilhando, embora não dispense as estrelas.

* Ter CDs de pagode, axé, sertanejo, forró, funk carioca. Até há pouco tempo, nunca tinha dado muita atenção para o quesito ‘pequenas afinidades’, mas hoje, em que já penso seriamente em relacionamento como algo que pode ser definitivo, confesso que não daria certo me unir a uma mulher cujo universo cultural seja assim tão brutalmente diferente do meu.

Turn ons: Poderiam ser simplesmente o oposto dos turn offs; de qualquer maneira, eis aqui mais algumas coisas:

* Beleza física. Para quê mentir? É o divisor de águas fundamental; a primeira peneira. Aprendi, há muito tempo, que ela não é tudo, mas sem ela nada pode acontecer. Eu não poderia viver ao lado de uma mulher que não me atraísse fisicamente; de uma mulher sem vaidade, que não se cuidasse.

* Ser rebelde. Não ‘tentar ser’ para aparecer, e nem ser uma louca perdida sem causa; mas ser rebelde de verdade, naturalmente. Alguns piercings têm sua dose de rebeldia; tatuagens, muito mais. E as mulheres que hoje em dia estão fumando frente a cartazes que combatem o fumo, e tantas campanhas dizendo que o hábito é ‘do mal’, têm seu mérito e exercem uma misteriosa atração devido a esse pouco caso com as regras e a vida em si.

* Autoconfiança! É insuportável ter uma mulher repulsiva insistindo para ficar com você; mesmo assim, eu jamais – jamais – dei e nem daria um fora em uma mulher dessas; simplesmente desconversaria e tentaria desaparecer, deixando-a sempre que possível por cima. Isso porque admiro muito a autoconfiança, e quem a tem merece mantê-la. Uma mulher linda que venha para cima com autoconfiança… Bom, é o paraíso.

Intermezzo

March 3, 2008

Há algo mudado no ambiente. Há uma nova calma no ar, os sons começam a ser outros; começam a rarear um pouco, a se propagar de maneira distinta. A luz também está diferente, e o céu tem uma característica que não é a mesma dos últimos meses. Não sei como definir mais objetivamente, mas a estação está mudando. Apesar de as temperaturas praticamente não terem se alterado, é desde o primeiro de Março, com seu pôr-do-sol límpido e cheio de cores, que estou absorvendo os cumprimentos iniciais da nova estação. Estes grilos varanda afora, que são praticamente os únicos seres a produzirem ruído enquanto o céu ainda tem um pouquinho a escurecer, me falam do outono.

Hora sagrada! Não me canso de louvar o ocaso; meu período favorito do dia é o pôr-do-sol e a hora ou meia-hora que o segue. Como é lindo! E com isso quero dizer algo mais do que beleza para os olhos; além do show de cores, existe neste momento qualquer coisa que eleva a alma.

No sítio, fico na área da piscina e da varanda, e observo os mais diferentes pássaros que vão chegando para uma parada nas árvores altas e, se possível, secas. Ficam lá no alto, se limpando e talvez avaliando os arredores antes de voarem para o lugar favorito de descanso noturno. Passam as garcinhas apitando, e os gaviões; voam bandos de pombos e rolinhas, e muitas outras espécies a depender da época. Alguns baixam e tentam beber água na piscina. Fico feliz quando conseguem, tendo que, às vezes, enfrentar a proximidade de um cachorro ou o nível demasiado baixo da água. O sol vai baixando atrás do pinheiral a oeste, e logo nos dá um horizonte em brasas. Ponho os pés diretamente sobre as pedras da piscina, que estão quentes, e minha única ação é ficar recebendo a bênção ali parado, contemplando, me alimentando por osmose dessa comunhão sagrada. Se passam nuvens, elas vão pintadas de ouro, ou de rosa. O próprio céu vai ganhando as mais incríveis tonalidades, e então vai escurecendo. Começam a brilhar as primeiras estrelas…

Às vezes, seja no campus ou até no meio de bairros agitados, tais espetáculos se descortinam com especial magnanimidade. E – incrível – ninguém os vê!! Ninguém pára para admirar essa dádiva por alguns minutos. Não há tempo, não há interesse ou nem sequer há olhos para ver. Eu olho, e à minha frente as pessoas vão passando com caras fechadas, os olhos perdidos no chão, as mentes perdidas em preocupações que deveriam ser deixadas de lado. Ali, a um levantar de olhos, está a solução para tudo. Nossa Terra é linda, e nos oferece todos os dias um presente, uma razão a mais para acordar e agradecer pela vida, e as pessoas não aceitam esse presente!

Há uma grandiosidade especial, um sabor de infinito nessa hora em que a Deusa-Mãe fica mais fácil de ser percebida.

AMOR - PARTE I

February 6, 2008

É importante deixar claro: eu continuo acreditando no amor, apesar dos últimos golpes sofridos – particularmente, do fato de que, nos últimos tempos, sempre que realmente entreguei meu coração a alguém encontrei uma legítima vaca que me coiceou com toda a força no rumo da cafajestice. (Cada vez, portanto, que vejo uma mulher reclamando que homens não prestam e são todos canalhas, o sangue me ferve nas veias…).

Vou dizer já qual é a maneira como eu vejo o amor, o meu ideal de amor romântico: é o que está expresso ao longo da trama do filme Serendipity (no Brasil, ‘Escrito nas Estrelas’, Kate Beckinsale e John Cusak, 2001). Lá estão todos os elementos que eu vejo como obrigatórios no tema ‘amor verdadeiro’ – que tem que ser grande e até mesmo, digamos, sobrenatural.

Sim, eu já tive grandes amores verdadeiros, e pelo menos uma dessas ocorrências quase sobrenaturais no meio de uma relação. Aliás, eu nunca estive com alguém sem sentir verdadeiramente algo pela pessoa. Sem algum tipo de bom sentimento real, nem um beijo eu conseguiria dar.

Amores vêm e vão e (acho que vou morrer acreditando nisso, não importando o que possa acontecer ainda), um dia, me casarei com a mulher certa e terei um lar com ela, um histórico de aventuras com ela, e até, quem sabe, um filho com ela.

De algum modo, sempre achei que minha mulher dos sonhos seria o menos tipicamente Brasileira possível: estrangeira, ou de família estrangeira e bastante ligada à colônia, ou rio-grandense (são o que de menos Brasileiro há no Brasil), ou simplesmente uma Sagitariana (têm sempre algum tipo de relação com o estrangeiro, o exótico, o aventuroso). Por que não a tipicamente Brasileira? Porque suas características morais constituem, para mim, defeitos proibitivos: seu sim nem sempre significa sim, e seu não nem sempre significa não; não há senso de responsabilidade para com os outros; não há qualquer senso de compromisso (a palavra é fraca, as decisões só são feitas na hora da morte e mesmo assim não se mantêm, e há atrasos, etc.); reina a idolatria do ‘coitadismo’ e o medo do novo, do ousado… E por aí vai.

Astrologicamente, sei agora também como a minha mulher dos sonhos definitivamente não será: em hipótese alguma Canceriana; fundamentalmente, jamais uma Canceriana com Vênus em Gêmeos. Jamais! Nem que seja a mulher mais linda do mundo, nem que tenha o Sol em conjunção com meu Júpiter, nem que me prometa casamento indissolúvel em cartório, e nem que me dêem 10 milhões de dólares: os quase 5 milhões sobreviventes ao divórcio não pagam o rombo que essas abomináveis criaturas – lixo humano no amor – deixam na alma.

Foi em Outubro de 2006 que aprendi o que era sofrer por amor, e isso foi graças às benesses de uma Canceriana com Vênus em Gêmeos. Você sabe o que é sofrer por amor? Nem todo o mundo sabe (afortunados esses!), e provavelmente eu mesmo teria passado pela vida sem saber, se não tivesse topado com um desses seres em meu caminho. Claro, há rompimentos, há brigas, há saudades e pode até haver algumas lágrimas, mas sofrer por amor, de verdade, é algo único, que só quem vivenciou pode mesmo saber o que é. É quando fazem sentido as letras românticas e os clichês amorosos; é quando momentaneamente a vida perde seu sabor e a cicatriz que sobra é enorme e feia, por mais que você se cure.

No caso em questão, estou me referindo a uma ex-namorada com quem convivi por quase dois anos. Foi meu mais longo relacionamento (sim, acreditem), e totalmente atípico, porque tínhamos um cotidiano em comum e morávamos bastante próximos um do outro, nos vendo todos os dias. Falávamos até em casamento, mas, por diversas razões (principalmente o fato de meu amor espontâneo – aquele que não pode morrer – ter sido atingido por atitudes dela que eu não conseguia entender), passamos a brigar muito. Quando eu juntava forças e decidia terminar a relação, era bombardeado por choros, sangue e demonstrações públicas de desespero, e assim acabava voltando atrás (é, eu sei: que erro!). Chegou então a vez de ela terminar… E não foi isso que me destruiu: quando ela me comunicou a decisão, eu a respeitei, a abracei e beijei, e segui em paz meu caminho até o campo de rugby (muito ao contrário do que ela fazia na mesma situação). Foram as macabras atitudes dela depois disso que me fizeram atingir o fundo do poço.

No fim, ela estava certa ao terminar a relação que eu mesmo havia tentado terminar muitas vezes antes (confesso que se não a traí, nas fases finais e desgastadas do nosso convívio, foi só por muita força e presença de espírito de uma pessoa que logo estará lendo estas linhas); mas daí a vomitar crueldade pura sobre mim?! Me jogar em um pesadelo e trancar a porta da masmorra pelo crime de tê-la simplesmente amado?!

Assim são as Cancerianas – as desse tipo, pelo menos. Custam a acreditar e têm medo da felicidade, são cautelosas e duvidosas quando avançam para o bem e dizem ‘sim’… E são a rocha mais dura e firme do mundo na hora de sustentarem sua crueldade, de dizerem ‘não’ e olharem para você com olhos de inseto ao defenderem a negatividade e o pessimismo enquanto você se corrói de sofrimento. Quando te amam, se apertam a você como carrapatos, e falam de juras eternas, e se banham em lágrimas se você vai ter que ficar meia-hora a mais no trabalho; e quando ‘decidem’ que você não serve mais (e no fim sempre decidirão isso, mais cedo ou mais tarde), te descartam com a maior facilidade do mundo, com a compaixão de Gengis Khan.

Recentemente, mesmo avesso a relacionamentos mais sérios, deixei-me ser vitimado por outra Canceriana com Vênus em Gêmeos. Gastei um dinheiro que não poderia ter gastado em hipótese alguma, e me fiei em promessas e garantias que valiam menos que a poeira que voa ao sabor do vento. Muito amor nos primeiros dias e então, totalmente ‘do nada’, eis que surge um “não sei mais”. Felizmente foi em questão de dias que a falha de caráter se revelou. A ‘guria mais linda do mundo’ se revelou indigna daquilo que faz no banheiro, e, como tudo o que vem traz um bem, aprendi definitivamente a lição sobre Cancerianas.

Só para descontrair agora, eis uma representação gráfica que ilustra o que estou expressando:

 

Um valor baixo de ‘B’ tem possibilidade de ser compensado com sucesso por um valor alto de ‘A’ em alguns casos – situação melhor que a oposta, já que o ‘A’ baixo será sempre problemático, pouco ajudando a altura de ‘B’.

Amanhã tem a segunda parte – afinal, minhas histórias sempre devem terminar com sabor de otimismo e risadas (ainda que negras).