Primeiramente, preciso dizer que nada tenho contra o signo de Câncer em si. Acho que o fato de meu melhor amigo ser um Canceriano é evidência suficiente disso. Além disso, como astrólogo científico que sou, não posso ver um signo como melhor ou pior que os outros onze: se tirarmos um pedaço da roda, a engrenagem inteira quebra. No entanto, no que diz respeito aos relacionamentos românticos, já vi e vivi demais para estar firme como aço a tais caranguejas daqui para a frente.
Bem, se no lado negativo do artigo falei de Cancerianas, é das Sagitarianas que falarei neste lado positivo.
Ah, que mulheres!… O apelido de ‘deusas’ deveria ser exclusividade dessas amazonas!
As Sagitarianas – sobre as quais já escrevi em tantas ocasiões – já têm pelo menos 50% do meu coração ganho só pelo fato de serem desse signo. Elas sustentam o olhar quando meus olhos de fogo entram nos delas. Elas sorriem, divertem-se no meio do jogo da sedução – isso porque rarissimamente são vencidas por complexos de inferioridade ou medos que as tornem azedas e as façam virar a cara. Elas gostam da vida!
Que porte elas têm! Reconheço de longe uma Sagitariana ‘puro-sangue’: são corajosas, quentes, riem alto, e, sendo em geral muito esportistas e amantes da boa forma, possuem na maioria dos casos o corpão tão característico. As coxas de uma Sagitariana típica são uma das coisas mais felizes que a Natureza é capaz de criar.
Que brilho nos olhos – sempre tão lindos, seja a cor que tiverem! Os olhos são capazes de sorrir por si, com aquele toque de malícia e irreverência que fazem a paixão formigar por minhas veias. Nesse brilho também moram os humores mais sérios da deusa, em geral de curta duração, bem como suas divertidas filosofadas.
E que corpo!…
Acho que o melhor a fazer, para que tudo se entenda melhor, é falar de experiências concretas. Falarei, então, de três Sagitarianas que me marcaram muito, preservando seus nomes verdadeiros ao trocá-los por outros aparentados.
REBECA STUCCHI – Faz muitos anos que não a vejo, mas me lembro bastante dela, e de como as coisas poderiam ter sido se eu tivesse mais que 17 ou 18 anos.
Acho lindo que essas deusas esportistas tenham uma grande queda pelo magistério. Elas gostam de educar, de ‘consertar’ as pessoas, dando assim uma boa serventia para o toque divino com que nasceram. Se não são professoras de carteira assinada (muitas o são), acabam sendo professoras de algum modo informal, nem que seja dando conselhos para o círculo de amigos.
Rebeca era professora pré-escolar na mesma instituição particular em que eu me formava no terceiro colegial. Foi a primeira Sagitariana – aliás, não chegou a ser, mas de qualquer forma foi por sua luz que meus olhos se abriram para a ‘Sagitarianidade’.
Eu não sei o que acontecia naquela época – nos meus 17 anos – que eu, mal vestido, despenteado, sem carro, sem dinheiro, sem viagens e sem experiência, atraía mulheres – mulheres, leia-se bem – com vinte vezes mais facilidade do que atraio hoje em dia. Seja a explicação qual for, nossas vistas se cruzaram e senti o calor do fogo mutável em seus olhos castanhos claros quando ela me disse um ‘oi’ especial. A partir daí, tudo já estava feito.
Eram as semanas finais da minha vida na escola – o melhor período do ano mais dourado da minha vida – e Rebeca Stucchi surgiu na coroação desse momento. Logo fiz questão de aparecer na escola perguntando pela ‘Rê’ para outros professores e até para a coordenadora, sem qualquer vergonha. Cheguei a convidá-la para o baile de formatura. Rebeca entendia meu olhar e oferecia aquele sorriso maroto de Jupiteriana, como que dizendo “eu sei tudo o que você está pensando, mocinho, e no fundo não desgosto disso”.
Se eu tivesse apenas um pouquinho mais de vivência, e se tivesse sabido escolher as palavras certas na hora certa, Rebeca teria saído comigo – e então, eu aos 17 teria tido minha experiência com a professorinha linda que completava 26; teria uma história de vida dessas ‘de cinema’, ‘míticas’. Mas não aconteceu… Quando a procurei ‘de verdade’, no ano seguinte, eu já havia perdido o momento. Além disso, já com carro e tudo, era ainda tão imaturo quanto antes, senão mais (se 1995 foi o ano de ouro, 1996 foi particularmente ruim para mim). Ela deixou que a crise de moral (que às vezes ataca as Sagitarianas) levasse a melhor, e então ficamos os dois ‘nus’, como se tivéssemos comido o fruto proibido: nove anos de diferença, e ainda havia alguém na jogada, e não podia acontecer, etc. Virei chato, fiquei insistindo, incomodando, e ela teve que cortar relações. E poderia ter sido diferente?
Ela deve ter 38 agora… E que porte de centaura deve ter!
ANNE BECKER – Anne pode não ter sido minha primeira namorada, mas seguramente foi meu primeiro amor. Tivemos uma história tão especial que me parece até um tanto sacrílego tentar listá-la e resumi-la aqui; mesmo assim, falarei um pouco a respeito.
Foi próximo ao Ano-novo 2000-2001 que nos conhecemos e ficamos juntos, em uma praia Catarinense. Passamos o réveillon como namorados e, apesar de eu viver aqui e ela ‘lá’ (Rio Grande do Sul), nos visitamos todos os meses até fins de Outubro, quando decidimos nos separar. Dez meses vencendo distâncias e sendo felizes!… Ela é de 1980 (a única Sagitariana mais nova), estava na graduação em Farmácia na UFRGS.
Como nos dávamos bem em todos os sentidos do viver! Como era gostoso ouvir sua voz, suas gargalhadas, suas idéias; e terminar a noite com ela e começar o dia acordando a seu lado!
Um dia – atenção – estávamos eu e ela namorando em uma pracinha em Caxias do Sul, RS, quando por perto passaram umas duas mulheres e uma menina de três ou quatro anos com elas. A menina, pouco após passar por nós, olhando-nos, se destacou da mão da mãe e correu até um canteiro próximo; pegou uma flor rosada/lilás e, com um sorriso mágico, foi até nos e estendeu-nos a oferta. Seus olhos azuis brilhavam de um modo que nunca irei esquecer. Fez aquilo como se ‘tivesse que fazer’, como se fosse a ordem natural do mundo. Pegamos a flor sagrada, e a anjinha de cabelos cacheados e loiros correu de volta para as adultas, para desaparecer com elas.
Quando assisti ao filme Serendipity pela primeira vez, foi com ela que fiz questão de falar logo em seguida, telefonando minutos depois (já estávamos separados, mas jamais perdemos contato). Ultimamente, temos nos visto uma vez por ano. Nunca dizemos nada a respeito de nós.
ALINE GESSINGER – Ah, o protótipo da Deusa Sagitariana! Essa foi Aline: seis anos mais velha; cabelos lisos e compridos, loiros com mechas de outros tons; bronzeada; olhos verdes; atlética; sulista; professora. Wow!…
Quando tentei um contato um tanto tímido com essa lindíssima habitante do Olimpo, pensei – mesmo com todo meu otimismo – que logo de cara seria chutado ladeira abaixo de volta para meu lugar, lá no vale dos mortais. Mas, que surpresa: a doutoranda se interessou pelo graduando! E quando confirmei a suspeita de que era Sagitariana, me vi onde de fato estava: nas nuvens!
Me lembro de cada mínimo detalhe – e esqueceria? – do nosso primeiro beijo. Era 31 de Outubro de 2003. Ela havia atendido a um meu pedido para ir à minha morada então (uma casa/pensionato). As donas da casa ficaram boquiabertas com a beleza e o porte daquele ‘mulherão’, e deram um jeitinho de me deixar a sós com ela na casa.
Seus olhos – duas brasas verdes chispando – iam para lá e para cá, inquietos, naqueles momentos de dúvida. A crise moral estava sendo trabalhada: ela tinha alguém em SC… E quem era eu, afinal?… E estaria correto?… E as conseqüências?… As brasas pulavam… E por fim ela disse, avançando: “Então me beija”.
Foi intenso, mas durou pouco. Passamos um par de noite juntos, ela conheceu meus pais (minha mãe, ao ser instada a adivinhar seu signo, acertou de primeira, e a Deusa sorriu), mas então fui viajar para um congresso no RS e essa ausência temporária deve ter contribuído para que ela pensasse melhor (pior?) decidisse parar por ali. O fato de o casebre no sítio estar um horrendo pandemônio no dia que a levei para lá deve ter contribuído para isso também…
Seja como for, recebi a admiração dos amigos, quando souberam da relação. Muitos me colocaram alguns degraus acima só pelo fato de eu ter me relacionado com a Deusa. Até hoje, se eu conseguir reencontrar meu velho amigo Breno, e no meio de uns copos de cerveja preta vier o assunto ‘mulheres’, é capaz de ele dizer: “Bom, sendo você alguém que ficou com a Aline Gessinger, acho que você pode tudo, rapaz!”.
Essas três pessoas queridas que moldaram minha história nasceram entre os dias 25 e 26 de Novembro, e é por essas e outras que ser ‘Sagitariana de fins de Novembro’ é um plus para mim. Conheci muitas outras, me relacionei com várias, seja romanticamente, seja amistosamente; nem todas se encaixaram totalmente nos perfis que descrevi (já tive até raiva de algumas), assim como nem todas as Cancerianas são iguais (estes dias, confesso, – e vocês pasmem – estive com uma, que deve ter ascendente Sagitário). Seja como for, faz já um certo tempo que tenho me aventurado fora das benesses das Sagitarianas, e estou com saudades. Pode ser já tempo de se casar com uma.
ANEXO: SOME MAJOR ‘TURN ONS’ AND ‘TURN OFFS’
Turn offs:
* Mostrar inibição, recato ou acanhamento nos assuntos amorosos, e valorizar tais comportamentos. Isso mata e enterra qualquer vontade que eu possa ter.
* Não ter senso de humor negro; irritar-se de verdade e tentar dar lições de moral se não faço cara de triste e nem choro como ‘deveria’ chorar da desgraça tal. Eu posso rir, mas na hora de por a mão na massa para salvar ou ajudar, serei eu a fazer. Um comportamento desses, de censurar a sério uma risada minha, não só faz com que eu perca o interesse, mas a pessoa ganha em mim um inimigo.
* Desmarcar compromissos na hora ‘h’ – principalmente no começo da relação. É a Brasileirice plena, e é o fim!
* Ser evangélica no Brasil. Na verdade, seguir dogmas e preceitos, virando uma fanática de qualquer religião. Destaquei a ‘evangélica’ no estilo novo-Brasileiro por ser a mais classificadora e separadora de seres humanos. Como vou me relacionar com uma pessoa com a qual certos assuntos são proibidos e para quem “fulano e fulana quando morrerem vão para o inferno”?
* Achar que diversão se resume a ir ‘no clube’ e à festa ‘da moda, que todo mundo vai’. Não gosto desses padrõezinhos e desse estilo de boiada seguindo o berrante. E, para falar a verdade, gosto muito mais das aventuras com o sol brilhando, embora não dispense as estrelas.
* Ter CDs de pagode, axé, sertanejo, forró, funk carioca. Até há pouco tempo, nunca tinha dado muita atenção para o quesito ‘pequenas afinidades’, mas hoje, em que já penso seriamente em relacionamento como algo que pode ser definitivo, confesso que não daria certo me unir a uma mulher cujo universo cultural seja assim tão brutalmente diferente do meu.
Turn ons: Poderiam ser simplesmente o oposto dos turn offs; de qualquer maneira, eis aqui mais algumas coisas:
* Beleza física. Para quê mentir? É o divisor de águas fundamental; a primeira peneira. Aprendi, há muito tempo, que ela não é tudo, mas sem ela nada pode acontecer. Eu não poderia viver ao lado de uma mulher que não me atraísse fisicamente; de uma mulher sem vaidade, que não se cuidasse.
* Ser rebelde. Não ‘tentar ser’ para aparecer, e nem ser uma louca perdida sem causa; mas ser rebelde de verdade, naturalmente. Alguns piercings têm sua dose de rebeldia; tatuagens, muito mais. E as mulheres que hoje em dia estão fumando frente a cartazes que combatem o fumo, e tantas campanhas dizendo que o hábito é ‘do mal’, têm seu mérito e exercem uma misteriosa atração devido a esse pouco caso com as regras e a vida em si.
* Autoconfiança! É insuportável ter uma mulher repulsiva insistindo para ficar com você; mesmo assim, eu jamais – jamais – dei e nem daria um fora em uma mulher dessas; simplesmente desconversaria e tentaria desaparecer, deixando-a sempre que possível por cima. Isso porque admiro muito a autoconfiança, e quem a tem merece mantê-la. Uma mulher linda que venha para cima com autoconfiança… Bom, é o paraíso.